Aquela casa amarela não me era estranha, por dentro e por fora parecia ter saído da minha imaginação, era a casa das reuniões anti-ditatoriais, era a casa das cenas de planos secretos dos livros de Isabel Allende, Fernando Moraes e outros.Isso me assustou de imediato, mas respirei fundo e prossegui.
Na entrada um cartaz com a foto do Lênin acenando do alto de um palanque ou algo do tipo para uma multidão de pessoas.
Muito sugestivo para o que trataríamos de fato...Caixas e arquivos espalhados por todos os lados, papéis e desordem, não uma desordem qualquer, a desordem das histórias na minha imaginação.
Perguntamos-nos – Será que eram assim as casas onde se encontravam os Revolucionários? Sim querido amigo, minha mente não tinha falhado ao refazer o cenário.
Se o espaço físico me remetia à fantasia, não podem imaginar o que senti quando vi as personagens daquela casa.
Eu era uma pequena coadjuvante diante de seus protagonistas prediletos, pessoas tão simples, tão leves de vaidades, mas ao mesmo tempo pesados de uma preocupação altruísta, encantadores... Sem o mínimo esforço para tanto.
Seus planos, como tentáculos buscavam alcançar a amplitude máxima de tudo que pode envolver a sociedade, e a humanidade, amigos.
Pareciam simples, mas a sabedoria que guardavam não me surpreendeu... porque afinal de contas eles saíram dos meus livros preferidos, já os conhecia.
Duas pessoas me chamaram muito a atenção.
Giva com sua voz grave e calma, sua figura era a figura da América, cabelos longos e negros, pele parda, barba e alto como um gigante, o gigante dos esquecidos. Falou sobre nossas crianças, sobre nossos erros históricos em tratá-las, em puni-las e em educá-las... se é que se pode chamar educação. Esse homem é um homem de lutas, se percebe amigos.
Outra figura interessante era Laura, com seus olhos grandes e seu sorriso largo, parecia o tempo todo me lembrar algo, algo bom, algo muito nobre e claro. Fiquei imaginado se existem tantas professoras como ela, que passam suas horas livres criando planos de ação conjunta para mudar o país, libertar mulheres, pensar pelos excluídos.
Amigos, minha conclusão pessoal disto tudo é que somos tão superficiais em nossos sonhos, mal arranhamos a superfície e achamos que vivemos intensamente, mal imaginamos que enquanto se fala de pena de morte numa manhã de terça-feira, dentro de um prédio universitário, abrigados e seguros, há pessoas no olho do furacão, entre o exército e o MST como escudo humano... tentando impedir a pena de morte que não está na constituição Federal e não é permitida pelo tratado dos Direitos Humanos mas é recorrente no Brasil para aqueles que não estão no modelo de cidadania, para aqueles a quem a cidadania simplesmente deu as costas.
01/05/10

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