quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Previsões aceitadas


Foi firmado em agosto, um acordo entre os países que possuem seus territórios sobre o aquífero Guarani para a conservação e o aproveitamento sustentável deste. Levando-se em conta as futuras previsões da breve situação em que o mundo se encontrará em quesito de recursos hídricos, alimentos, clima, acordos assim se fazem estratégicos para a conservação das futuras riquezas mundiais, sendo a própria água, o próximo recurso estratégico do próximo século.

O ponto é que é incrível como essas previsões, quase imperceptivelmente, têm um viés de instituir na sociedade uma teoria de aceitação ao sistema. Quando se fala prevê que em cerca de 25 anos, cinco bilhões de pessoas estarão sem água para as necessidades básicas, se transmite isso de uma forma a levar as pessoas a acreditar que isso é irreversível, que é assim que as coisas serão e assim que têm que ser.

Irá faltar água para milhões de pessoas e o que se faz é monopolizar ainda mais os recursos hídricos, entregar na mão de empresas nacionais e multinacionais que irão fazer de tudo para lucrar com isso, continua-se contaminando os rios, lagos com produtos químicos e esgoto, aprovam-se leis para reduzir a proteção das margens dos rios. Políticas que mostram como o sistema continua se fortalecendo, enquanto o mundo vai esfraquecendo. Capitalismo e bem-estar do mundo são diametralmente opostos.


A água é indispensável à vida e o sistema capitalista traz em si a destruição do ambiente e escravização daqueles à ele submetidos. Quanto mais faltar água, mais será um recurso estratégico, mais seu preço irá subir, mais o capital irá fazer de tudo para se apropriar desse bem para lucrar e mais constantemente a civilização capitalista irá prosseguir nesse ciclo de selvageria que não condiz com o “senso comum humano” de que somos a espécie mais inteligente do planeta, apesar de não conseguir de forma alguma entrar em harmonia com o meio em que vive por causa de um papel que supostamente tem um valor determinado, e que faz as pessoas praticamente perderem a razão na busca incessante por mais deste.


Nas previsões do mundo catastrófico do futuro não há tom de reprovação ao sistema, de instigação à mudança e mobilização para isso de forma urgente. Se prevê já aceitando que o sistema é assim e que esses atentados contra o mundo são naturais de um sistema que não deve ser mudado. Claro, iludidos os burgueses no comando do sistema acham que esses problemas não os atingirão porque eles sempre irão contar com o poder das notas para garantir sua segurança e acesso aos bens que ficarão cada vez mais escassos, enquanto o sistema continuar existindo.

Não há que se aceitar essas previsões catastróficas. Há que se contestar o motivo de tais previsões e unir a todos para resistir à elas, derrubando esse sistema escravizador e destruidor e construindo um mundo realmente bom, com base nas diretrizes que nos foram deixadas pelos grandes mestres.

Água, comida, lugar para se morar, são coisas que não têm motivo, que não seja fruto de interesses de alguns, faltarem para todos. Com base no respeito e na responsabilidade é possível se atingir uma sociedade em que tenha tudo acessível por igual para todos e que as pessoas saibam compartilhar, se unindo e sendo fortes para resistir à todas as intempéries que possam vir a ocorrer, que estejam fora de alguma atividade humana.

Através do capitalismo, não se pode atingir uma sociedade avançada à esse nível. Esse sistema é da individualidade exacerbada, da desunião. Então, qual a solução?

A solução já nos foi proposta e desmerecida várias e várias vezes, tanto por discursos lançados pelo sistema quanto por regimes que eram denominados de acordo com uma ideologia, mas que não a aplicaram da forma como deveriam, fazendo algo bem diferente na prática.

Não há que se aceitar essas previsões como se fossem o anúncio de algo imutável, irreversível. Quando se chega à previsões de catástrofes, há que se unir para se começar a mudar o que está errado, o que está dirigindo o mundo para o abismo. Não é tarefa fácil, mas tudo é possível quando se acredita.

Temos que agir para mudar os caminhos que o mundo percorre, dirigidos pela constante busca de lucro do sistema, mesmo que isso traga fome, miséria, destruição para o mundo. E que essa ação seja urgente.

Enquanto isso não acontece, as constantes emissões de carbono na atmosfera, gerando o aquecimento global e previsões cada vez mais assustadoras dos cientistas, vão delineando os cenários que deixaremos para as futuras gerações. O que os países fazem para mudar isso? Já que o planeta está se aquecendo, as calotas polares derretendo e o petróleo que se encontra no fundo do mar está cada vez mais fácil de se explorar, briga-se e começam-se as discussões para a tomada de posse de tais áreas para que se explore mais petróleo, se emita mais gás carbônico, se deterioe mais ainda o ambiente e o planeta esquente ainda mais.
Realmente, o capitalismo com sua “lógica” (pois não existe lógica em destruir e trazer sofrimento para o mundo) de mercado é um sistema perfeitamente aceitável e justo. A natureza e as futuras gerações que o digam.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Eleições capitalistas


Nos momentos de eleição, pode-se perceber bem a lógica capitalista, afinal, as eleições também entram no jogo do sistema. O capitalismo é o sistema do individualismo exacerbado, da competição e não poderia deixar de ser diferente as eleições. Candidatos trocam farpas, acusações e isso tudo para mostrar à população qual deles é o melhor, ao invés de se unirem para fazer o melhor juntos pelo país, pelo mundo.

Aliás, política não deveria ser feita por um grupo específico e sim por todos, unidos, baseados no respeito e na responsabilidade.

Essa é bem a lógica do capitalismo, competição. Faz- se de tudo, e hoje em dia é de tudo mesmo, para ser o melhor, se sobressair sobre os outros, mesmo que nisso implique ter que usar de métodos totalmente condenáveis para se atingir um objetivo. Quem não atinge é fracassado, não merece a atenção das pessoas. Seja rico(a), famoso(a), tenha vários carros, seja desejado pelas mulheres ou pelos homens, seja “bonito(a)”, use roupas caras e esteja na moda, ou não exista. É o darwinismo social, a distorção da teoria da evolução das espécies. Os mais aptos, mais fortes, mais bonitos, melhores estão aptos a sobreviver na selvageria das sociedades. Quem não se adapta não tem que existir, não é digno disso.

Que hipocrisia existe em nossa sociedade condenando o fascismo, nazismo quando indiretamente é a mesma coisa que se prega? Uma sociedade dos melhores.

Voltando às eleições: elege-se omelhor para se ocupar os cargos de comando, de coordenação, de governo, mas isso tem que ser feito por todos. Um grande problema que revoluções que visam derrubar o sistema enfrentam é justamente o fato de que quando elas conseguem ser vitoriosas, as pessoas cruzam os braços e passam a esperar que agora o governo faça por elas. Não, há que todos trabalharem juntos para construir uma nova sociedade, que ainda não existiu, um mundo realmente bom.

O poder tem que ser compartilhado. Assim como os anarquistas previram, tanto o poder concentrado na mão da burguesia, quanto na mão de uma elite política, daria no mesmo ponto, ou seja, quem estivesse no governo com o poder concentrado em suas mãos, iria usá-lo pelos seus interesses particulares. Foi o motivo de briga entre comunistas e anarquistas na primeira internacional, entre Marx e Bakunin. Marx e os comunistas pregavam atingir o comunismo pela ditadura do proletariado. Bakunin e os anarquistas pregavam que uma atitude assim iria dar em um resultado talvez pior ainda do que o capitalismo burguês, que foi o que aconteceu na URSS e outros tantos regimes que se autodenominam comunistas mesmo sem os serem.

Fala-se tanto em democracia nas eleições, mas democracia é o governo de todos e que governo de todos pode haver quando um poder é concentrado na mão de alguns? Quando alguns detêm as decisões que afetam a vida de todos?

 Eleições capitalistas são assim: competição, como tudo no sistema. Por isso que não adianta reformar o sistema. É necessário que se construa outro: o anarquismo.

Bem diferente do senso comum que acredita que anarquismo é aonde não existe ordem, que é tudo uma bagunça, na verdade, o anarquismo e o comunismo são a mesma coisa, se diferenciando na forma como cada um acha que uma nova sociedade deva ser alcançada, mas os dois querem a mesma coisa: uma sociedade justa e boa, que respeite as pessoas, o ambiente e aonde todos sejam verdadeiramente livres.

Por isso que mais do que competir, acusar, desmerecer, desunir, nas eleições, deveríamos fazer todo o contrário disso, ou seja, cooperar, ajudar, compartilhar, nos unir em torno do bem comum.

Um novo sistema, uma nova sociedade, um novo mundo é necessário e cada vez mais urgente. É necessário que ele seja construído através da educação e da atividade social. Educação para libertar, emancipar, formar e atividade social para agir, criar união. Assim atingimos a libertação e um dia, não haverá mais eleições, pois a política será feita por todos em seus bairros, suas comunidades, suas cidades, seus países, no mundo todo. Isso é comunismo, anarquismo. Utopia? É algo que ainda não foi realizado e como dizia o grande mestre Sócrates: A imaginação é um caminho para a sabedoria.

Pensem, libertem-se, unam-se e juntos e unidos construíremos um novo mundo, não através de eleições individualistas e competitivas e sim através da solidariedade, do compartilhamento, do senso de coletividade, da cooperação.

 Diogo Portugal Bastos Pinto.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Sustentabilidade Ambiental

    Somos organismos vivos harmonizados com a natureza, e dela provém tudo aquilo que nos mantém vivos. Para que nossa existência perdure e possamos ter uma vida saudável, é essencial que tenhamos um ambiente ecologicamente equilibrado. Embora o homem exista a milênios, há apenas algumas décadas suas ações exploradoras e produtivistas têm afetado significativamente nosso planeta, criando uma necessidade imediata de mudança comportamental, concernente não só à produção e aos hábitos de consumo, mas também ao habitat, à cultura, aos valores e ao estilo de vida, pois como nunca, essa consciência não mais é adotada por uma questão de princípios, mas por uma questão de sobrevivência.
    A sustentabilidade ambiental está relacionada com produzir, extrair da natureza seus recursos sem depredar ou exaurir sua capacidade de continuar nos proporcionando vida, conservando os ecossistemas e a biodiversidade. Toda essa definição poderia ser substituída por uma única palavra: respeito. Não parece uma tarefa muito difícil, mas quando associamos a isso práticas de consumo ostensivas induzidas pela publicidade e uma lógica absurda de expansão e acumulação infinita baseadas na busca pelo lucro, as conseqüências podem ser as mais desastrosas possíveis. Enquanto as grandes decisões sobre os investimentos, a produção e a distribuição forem postas para que as leis do mercado e uma elite de proprietários ditem as regras, a satisfação das necessidades humanas e a gestão racional das trocas de matéria com o meio ambiente, respeitando os ecossistemas, continuarão sendo postas à margem.
Meios de produção de energia limpa ou renovável em grande escala, implantação de transportes públicos saudáveis e baratos ou gratuitos como alternativa ao abafamento e à poluição das cidades e do campo provocados pelo veículo individual e pelo sistema de transporte rodoviários, defesa da saúde pública contra a poluição do ar, da água ou dos alimentos e desenvolvimento subvencionado da agricultura orgânica em lugar da agroindústria, são alguns exemplos de mudanças e medidas necessárias que caracterizariam um desenvolvimento sustentável, e até que elas sejam postas a cabo, há muito que você pode ir fazendo.
Você pode e deve:
- Ter atitude, cobrar mudanças de órgãos públicos;
- Limpar sua rua, ajudar o mínimo que seja catando o lixo por onde anda;
- Discutir sobre o que está errado e o que pode ser feito para mudar;
- Educar seu filho, desde novo, com a correta consciência ambiental;
- Educar seu próximo a respeito de atitudes corretas;
- Separar o lixo mesmo que não haja coleta seletiva;
- Economizar, desde a água a tudo que utiliza;
- Procurar comer comida orgânica;
- Procurar se locomover de bicicleta.
Lembre-se: pequenas atitudes FAZEM a diferença.

"O seres humanos constituem o centro das preocupações relacionadas com o desenvolvimento sustentável, têm direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia com a natureza".
                                                                                                      ECO/92

Fonte: Jornal Le Monde Diplomatique
          Jornal Correio da Cidadania
          Wikipédia

domingo, 19 de setembro de 2010

Isso é uma Vergonha

Depois querem que o povo brasileiro se torne cidadão consciente e vote com responsabilidade, COMO? sendo que os próprios candidatos transformam a política, eleições e governo nacional no palco de uma trágica sátira sobre a infeliz realidade Eleitoral que o Brasil vive hoje que é sem precedentes. "Isso é uma vergonha"
 
By: NR

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sustentabilidade

O que é sustentabilidade?

Sustentabilidade é mais do que tudo a capacidade de durar. Um meio de moldar os hábitos e a forma de vida de um grupo social, seja ele uma sociedade, uma empresa, ou até mesmo uma pessoa, de forma que seja possível suprir suas necessidades sem afetar a habilidade e o direito de outros suprirem as suas, sejam as gerações atuais ou futuras. Tais necessidades naturais, sociais e culturais que nós seres humanos temos, são vitais para uma vida saudável e de plena harmonia com a natureza e com nós mesmos.

O termo sustentabilidade data dos anos 80, porém seu conceito vem sendo mais amplamente utilizado desde que fora pronunciado na comissão Brundtland das Nações Unidas, em 20 de março de 1987. No momento em que nos encontramos, o conceito ganha mais importância em virtude da insustentabilidade planetária e de seus impactos sobre os modos de vida contemporâneos. Falar em desenvolvimento sob aspectos econômicos e tecnológicos, é correr o risco de associá-los à garantia de bem-estar, estabelecendo uma noção de riqueza como apropriação de bens materiais e tornando a natureza em um mero recurso a ser utilizado. Falar em conservar tal recurso sem falar em mudar nossos hábitos é uma contradição. Políticas governamentais de real efeito cairiam inevitavelmente na redução de lucros, na redução do PIB e na descentralização de riquezas, e enquanto essas forem as prioridades, pouco irá mudar.

“A Terra satisfaz as necessidades de todos, menos a voracidade dos consumistas”.
                                                                                                             Gandhi

Fonte: Jornal Le Monde Diplomatique
       Jornal Correio da Cidadania
       Wikipédia

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Congestionamentos

Na China há cerca de nove dias, ocorre um congestionamento de 100 km. Quais as atitudes que o governo toma em relação à isso? Decide construir mais estradas. Típico pensamento que visa combater as consequências e não as causas para que os interesses capitalistas de alguns continuem superando o bem de todos.

Nas grandes metrópoles e hoje em dia mesmo em cidades com populações não tão grandes, congestionamentos cada vez mais estressantes, cada vez maiores, se formam. Cada vez mais, as pessoas possuem acesso facilitado à compra de carros, mesmo que à longo prazo não possuam garantias de que possam continuar pagando as dezenas de parcelas das prestações.

Em que isso implica? Em congestionamentos cada vez mais frequentes e maiores. Cada vez mais, tem-se que sair de casa mais cedo para poder ir trabalhar, ir para a faculdade ou alguma outra atividade. E as opções dos governos estão sempre sendo a de construir mais estradas, tudo para não mexer nos interesses das montadores e de outros grupos ligados à elas. Mas será que isso é sustentável?

Não adianta construir estradas, que não irá resolver o problema e sim mantê-lo ou acentuá-lo. Estradas degradam o ambiente, favorecem que mais carros circulem e que poluam mais, mais petróleo tenha que ser explorado em áreas cada vez mais sensíveis, mais o aquecimento global vai aumentar e a qualidade de vida se deteriorar.

Uma política que combata as causas do congestionamento e não as consequências? Promover o transporte público, preferencialmente de qualidade, que seja ecologicamente correto, acessível à todos e que seja de graça e isso é possível sim. Não se investe em transportes públicos para se manter os privilégios as montadoras. A alegação de que  as montadoras trazem emprego e desenvolvimento é para legitimar essas práticas capitalistas que favorecem à burguesia dominante. É cada vez mais difícil conseguir emprego e os salários menores, então que desenvolvimento é esse?

O foco do capitalismo é o lucro, então claro que um governo capitalista irá promover estradas. O foco tem que ser a sociedade, o mundo, portanto, transportes coletivos, eficientes, acessíveis à todos e ecológicos são fundamentais para um verdadeiro desenvolvimento.

O mundo não aguenta mais tantos carros, tanta degradação decorrente de políticas voltadas o setor automobilístico. Se recorre tanto a carros, pelo fato de os transportes públicos não serem de qualidade e não serem acessíveis à todos e pelo incentivo que se dá para comprar carros e construir uma política de incentivo aos transportes públicos é perfeitamente possível e mais do que necessário.

Acontece que, provavelmente, se der tempo, antes de pensarem em investir nos transportes públicos, pensarão em fazer os carros voarem, para que as políticas continuem as mesmas e as montadoras e seus agentes políticos continuem lucrando com a degradação do mundo e a exploração do povo.

Essa cultura burguesa, de individualismo exacerbado, cultura que privilegia o carro como meio de status, ascensão social está levando o mundo ao abismo e enquanto isso, para o luxo e regozijo de alguns, a grande maioria continuará sendo explorada, a natureza destruída e o mundo sofrendo.

sábado, 7 de agosto de 2010

65 anos de Hiroshima

Hoje, há exatos 65 anos, algumas horas atrás, foi lançada a primeira bomba nuclear da história sobre a cidade de Horishima, no Japão. Três dias depois seria a vez da cidade de Nagasaki (fundada por portugueses, se a curiosidade permite). As bombas asseguraram a rendição incondicional do Japão e o fim da segunda guerra mundial, que deixou para o mundo uma história de horror, atrocidades e momentos que não se quer mais ver no mundo, aonde 70 milhões de vidas, cessaram de existir em prol de interesses racistas de um lado e econômicos, de outro.

Todos lembram da bomba de Hiroshima, que carregava um potencial equivalente à mais de 12.000 toneladas de TNT (explosivo que foi criado por Nobel, que dá o nome ao prêmio que é entregue, inclusive, àqueles que promovem a paz, no mundo, irônicamente). O que então, desde o evento mudou em termos de paz no mundo? Alguns indicam que estamos caminhando para uma nova guerra, no Oriente Médio, que envolveria Irã, Israel, Eua e outros países árabes aliados aos interesses do ocidente o que muito provavelmente, ocasionaria uma crise mundial e com potencial imenso de se concretizar em uma catástrofe, maior até do que o ato da guerra em si.

Hoje em dia, fala-se da redução dos armamentos nucleares e os dois países dentetores dos maiores arsenais, capazes de destruir o mundo (essa expressão significa, não que o planeta deixaria de existir, mas que a vida nele teria suas condições de existência impossibilitadas) diversas vezes. O START, acordo que prevê essa redução gradual entre Rússia e Eua foi atualizado e o compromisso das duas potências militares novamente assinado. Muitos podem pensar que esse é um sinal de que o mundo caminha para um estado de segurança maior.

Acontece que o próprio START em si, não fala da EXTINÇÃO dos arsenais nucleares e sim de sua redução. Ou seja, os arsenais nucleares continuarão a existir, pois as potências militares que detêm sua tecnologia, não abrirão mão do imenso poder de disuasão inerente à posse de tais arsenais e poder maior de diálogo nas questões militares do mundo. Um mundo aonde exista uma arma nuclear, já é um mundo longe de um estado de segurança. Qualquer arma em si, já é um perigo para o mundo, mas as armas nucleares o são em dimensões muito maiores. Por que não se assina um tratado de extinção das armas nucleares? Os países não querem abrir mão de seu poder de fogo em negociações que os fazem poder disuadir qualquer outro país que possa ir contra seus interesses e não queira se render às ordens dos impérios.

A crescente escalada de tensões do Oriente Médio, envolvendo Irã, Israel e Eua se dá por conta do programa nuclear iraniano que o ocidente e aliados consideram com fins bélicos enquanto o Irã afirma ser o programa de finalidades energéticas.

O Irã, como país soberano e detentor do direito de autodeterminação de seu povo, independente da finalidade de seu programa nuclear, tem o direito de fazer uso da tecnologia nuclear. Por que as potências imperialistas que se dizem tão preocupadas com o caráter bélico de qualquer programa nuclear que não seja o de seus próprios aliados, não extinguem de uma vez por todas os arsenais militares? Medo de que sejam usados contra eles? O Irã, não possui histórico de agressão à outros países, enquanto Israel e Eua, que se sentem tão ameaçados são países extremamente agressivos com histórico de invasões e desrespeito à outros povos e que são os causadores e sustentam toda a agressividade e contestação que possa haver contra eles.

Ou todos têm o direito de ter ou todos não têm o direito de ter. Não tem espaço esse discurso de que tais armas têm que estar em controle daqueles que se autodenominam guardiões da paz e zeladores da segurança do mundo, quando é sabido que isso é uma forma de se manter sobre controle todos os países e manter a segurança das próprias potências nucleares e impedir que haja qualquer levante contra a ordem exploradora dos mesmos.

Infelizmente, um mundo mais seguro está longe de ser alcançado já que outros países mais ousados, visando se proteger das investidas das potências e ter mais peso nas negociações, são impelidos a buscarem suas tecnologias nucleares bélicas. O Irã, se não tinha realmente intenções bélicas com seu programa (lembrando que o país é signatário do TPI –Tratado de Não-Proliferação Nuclear, enquanto Israel não o é, assim como Índia, que recentemente recebeu incentivos financeiros dos Eua para continuar com seu programa nuclear, e o Paquistão), está constantemente sendo impelido a buscar tais armamentos nucleares, já que a hostilidade das potências só continua a crescer e as sanções econômicas, que visam sufocar a economia do país para o forçar a abrir mão de um direito seu e até fazer com que o povo, em vista das dificuldades financeiras ajude a tirar seus ousados governantes da liderança da nação.

Será que não conseguem ver que com hostilidades, só haverá maior tensão e consequente, mais hostilidades e maior possibilidade de conflitos?

Enquanto isso, alguns vão se precupando com o fim anunciado em 2012 e lembramos hoje do triste episódio da bomba de Horishima.

Os Eua, que lançaram a bomba e seus alidos ocientais, depois de 65 anos, comparecem à cerimônia. Será que não se sentem culpados? Será que os fins realmente justificam os meios, o que faz com que tais países saiam de mãos limpas e consciência tranquila de tais atrocidades?

Quanto mais o sistema capitalista se mantêm em vigor, mais conflitos irão existir e as possibilidades de outras Hiroshimas e Nagasakis muito maiores acontecerem, continua existindo. Não é tão remota quanto pode parecer, tudo vai depender da necessidade do capital e dos capitalistas que o comandam.

O capitalismo como sistema do individualismo exacerbado, da competição levam o mundo para a beira do abismo o que impele ao surgimento de novas guerras, por territórios e seus recursos energéticos, mercados, pela vida das pessoas que serão transformadas em geradoras de capital para todos seus benefícios, serem usufruídos por aqueles que exploram os povos e querem que tudo continue assim.

O comunismo, sendo o sistema da união, da solidariedade, do compartilhamento, do senso de coletividade, é a resposta e solução para esses problemas que o capitalismo causa ao mundo desde seus primórdios, séculos atrás.

Enquanto o mundo pranteia por Hiroshima e Nagasaki os países imperialistas continuam sem sua busca de mais poder bélico, mais poder de destruição, tudo para assegurar seus interesses, sua dominação, seu lucro, o capital.

O mundo precisa ser completamente livre de armas nucleares, elas precisam ser extintas.


Diogo Portugal Bastos Pinto.