Foi firmado em agosto, um acordo entre os países que possuem seus territórios sobre o aquífero Guarani para a conservação e o aproveitamento sustentável deste. Levando-se em conta as futuras previsões da breve situação em que o mundo se encontrará em quesito de recursos hídricos, alimentos, clima, acordos assim se fazem estratégicos para a conservação das futuras riquezas mundiais, sendo a própria água, o próximo recurso estratégico do próximo século.
O ponto é que é incrível como essas previsões, quase imperceptivelmente, têm um viés de instituir na sociedade uma teoria de aceitação ao sistema. Quando se fala prevê que em cerca de 25 anos, cinco bilhões de pessoas estarão sem água para as necessidades básicas, se transmite isso de uma forma a levar as pessoas a acreditar que isso é irreversível, que é assim que as coisas serão e assim que têm que ser.
Irá faltar água para milhões de pessoas e o que se faz é monopolizar ainda mais os recursos hídricos, entregar na mão de empresas nacionais e multinacionais que irão fazer de tudo para lucrar com isso, continua-se contaminando os rios, lagos com produtos químicos e esgoto, aprovam-se leis para reduzir a proteção das margens dos rios. Políticas que mostram como o sistema continua se fortalecendo, enquanto o mundo vai esfraquecendo. Capitalismo e bem-estar do mundo são diametralmente opostos.
A água é indispensável à vida e o sistema capitalista traz em si a destruição do ambiente e escravização daqueles à ele submetidos. Quanto mais faltar água, mais será um recurso estratégico, mais seu preço irá subir, mais o capital irá fazer de tudo para se apropriar desse bem para lucrar e mais constantemente a civilização capitalista irá prosseguir nesse ciclo de selvageria que não condiz com o “senso comum humano” de que somos a espécie mais inteligente do planeta, apesar de não conseguir de forma alguma entrar em harmonia com o meio em que vive por causa de um papel que supostamente tem um valor determinado, e que faz as pessoas praticamente perderem a razão na busca incessante por mais deste.
Nas previsões do mundo catastrófico do futuro não há tom de reprovação ao sistema, de instigação à mudança e mobilização para isso de forma urgente. Se prevê já aceitando que o sistema é assim e que esses atentados contra o mundo são naturais de um sistema que não deve ser mudado. Claro, iludidos os burgueses no comando do sistema acham que esses problemas não os atingirão porque eles sempre irão contar com o poder das notas para garantir sua segurança e acesso aos bens que ficarão cada vez mais escassos, enquanto o sistema continuar existindo.
Não há que se aceitar essas previsões catastróficas. Há que se contestar o motivo de tais previsões e unir a todos para resistir à elas, derrubando esse sistema escravizador e destruidor e construindo um mundo realmente bom, com base nas diretrizes que nos foram deixadas pelos grandes mestres.
Água, comida, lugar para se morar, são coisas que não têm motivo, que não seja fruto de interesses de alguns, faltarem para todos. Com base no respeito e na responsabilidade é possível se atingir uma sociedade em que tenha tudo acessível por igual para todos e que as pessoas saibam compartilhar, se unindo e sendo fortes para resistir à todas as intempéries que possam vir a ocorrer, que estejam fora de alguma atividade humana.
Através do capitalismo, não se pode atingir uma sociedade avançada à esse nível. Esse sistema é da individualidade exacerbada, da desunião. Então, qual a solução?
A solução já nos foi proposta e desmerecida várias e várias vezes, tanto por discursos lançados pelo sistema quanto por regimes que eram denominados de acordo com uma ideologia, mas que não a aplicaram da forma como deveriam, fazendo algo bem diferente na prática.
Não há que se aceitar essas previsões como se fossem o anúncio de algo imutável, irreversível. Quando se chega à previsões de catástrofes, há que se unir para se começar a mudar o que está errado, o que está dirigindo o mundo para o abismo. Não é tarefa fácil, mas tudo é possível quando se acredita.
Temos que agir para mudar os caminhos que o mundo percorre, dirigidos pela constante busca de lucro do sistema, mesmo que isso traga fome, miséria, destruição para o mundo. E que essa ação seja urgente.
Enquanto isso não acontece, as constantes emissões de carbono na atmosfera, gerando o aquecimento global e previsões cada vez mais assustadoras dos cientistas, vão delineando os cenários que deixaremos para as futuras gerações. O que os países fazem para mudar isso? Já que o planeta está se aquecendo, as calotas polares derretendo e o petróleo que se encontra no fundo do mar está cada vez mais fácil de se explorar, briga-se e começam-se as discussões para a tomada de posse de tais áreas para que se explore mais petróleo, se emita mais gás carbônico, se deterioe mais ainda o ambiente e o planeta esquente ainda mais.
Realmente, o capitalismo com sua “lógica” (pois não existe lógica em destruir e trazer sofrimento para o mundo) de mercado é um sistema perfeitamente aceitável e justo. A natureza e as futuras gerações que o digam.
