Nos momentos de eleição, pode-se perceber bem a lógica capitalista, afinal, as eleições também entram no jogo do sistema. O capitalismo é o sistema do individualismo exacerbado, da competição e não poderia deixar de ser diferente as eleições. Candidatos trocam farpas, acusações e isso tudo para mostrar à população qual deles é o melhor, ao invés de se unirem para fazer o melhor juntos pelo país, pelo mundo.
Aliás, política não deveria ser feita por um grupo específico e sim por todos, unidos, baseados no respeito e na responsabilidade.
Essa é bem a lógica do capitalismo, competição. Faz- se de tudo, e hoje em dia é de tudo mesmo, para ser o melhor, se sobressair sobre os outros, mesmo que nisso implique ter que usar de métodos totalmente condenáveis para se atingir um objetivo. Quem não atinge é fracassado, não merece a atenção das pessoas. Seja rico(a), famoso(a), tenha vários carros, seja desejado pelas mulheres ou pelos homens, seja “bonito(a)”, use roupas caras e esteja na moda, ou não exista. É o darwinismo social, a distorção da teoria da evolução das espécies. Os mais aptos, mais fortes, mais bonitos, melhores estão aptos a sobreviver na selvageria das sociedades. Quem não se adapta não tem que existir, não é digno disso.
Que hipocrisia existe em nossa sociedade condenando o fascismo, nazismo quando indiretamente é a mesma coisa que se prega? Uma sociedade dos melhores.
Voltando às eleições: elege-se omelhor para se ocupar os cargos de comando, de coordenação, de governo, mas isso tem que ser feito por todos. Um grande problema que revoluções que visam derrubar o sistema enfrentam é justamente o fato de que quando elas conseguem ser vitoriosas, as pessoas cruzam os braços e passam a esperar que agora o governo faça por elas. Não, há que todos trabalharem juntos para construir uma nova sociedade, que ainda não existiu, um mundo realmente bom.
O poder tem que ser compartilhado. Assim como os anarquistas previram, tanto o poder concentrado na mão da burguesia, quanto na mão de uma elite política, daria no mesmo ponto, ou seja, quem estivesse no governo com o poder concentrado em suas mãos, iria usá-lo pelos seus interesses particulares. Foi o motivo de briga entre comunistas e anarquistas na primeira internacional, entre Marx e Bakunin. Marx e os comunistas pregavam atingir o comunismo pela ditadura do proletariado. Bakunin e os anarquistas pregavam que uma atitude assim iria dar em um resultado talvez pior ainda do que o capitalismo burguês, que foi o que aconteceu na URSS e outros tantos regimes que se autodenominam comunistas mesmo sem os serem.
Fala-se tanto em democracia nas eleições, mas democracia é o governo de todos e que governo de todos pode haver quando um poder é concentrado na mão de alguns? Quando alguns detêm as decisões que afetam a vida de todos?
Eleições capitalistas são assim: competição, como tudo no sistema. Por isso que não adianta reformar o sistema. É necessário que se construa outro: o anarquismo.
Bem diferente do senso comum que acredita que anarquismo é aonde não existe ordem, que é tudo uma bagunça, na verdade, o anarquismo e o comunismo são a mesma coisa, se diferenciando na forma como cada um acha que uma nova sociedade deva ser alcançada, mas os dois querem a mesma coisa: uma sociedade justa e boa, que respeite as pessoas, o ambiente e aonde todos sejam verdadeiramente livres.
Por isso que mais do que competir, acusar, desmerecer, desunir, nas eleições, deveríamos fazer todo o contrário disso, ou seja, cooperar, ajudar, compartilhar, nos unir em torno do bem comum.
Um novo sistema, uma nova sociedade, um novo mundo é necessário e cada vez mais urgente. É necessário que ele seja construído através da educação e da atividade social. Educação para libertar, emancipar, formar e atividade social para agir, criar união. Assim atingimos a libertação e um dia, não haverá mais eleições, pois a política será feita por todos em seus bairros, suas comunidades, suas cidades, seus países, no mundo todo. Isso é comunismo, anarquismo. Utopia? É algo que ainda não foi realizado e como dizia o grande mestre Sócrates: A imaginação é um caminho para a sabedoria.
Pensem, libertem-se, unam-se e juntos e unidos construíremos um novo mundo, não através de eleições individualistas e competitivas e sim através da solidariedade, do compartilhamento, do senso de coletividade, da cooperação.
Diogo Portugal Bastos Pinto.

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