Hoje, há exatos 65 anos, algumas horas atrás, foi lançada a primeira bomba nuclear da história sobre a cidade de Horishima, no Japão. Três dias depois seria a vez da cidade de Nagasaki (fundada por portugueses, se a curiosidade permite). As bombas asseguraram a rendição incondicional do Japão e o fim da segunda guerra mundial, que deixou para o mundo uma história de horror, atrocidades e momentos que não se quer mais ver no mundo, aonde 70 milhões de vidas, cessaram de existir em prol de interesses racistas de um lado e econômicos, de outro.
Todos lembram da bomba de Hiroshima, que carregava um potencial equivalente à mais de 12.000 toneladas de TNT (explosivo que foi criado por Nobel, que dá o nome ao prêmio que é entregue, inclusive, àqueles que promovem a paz, no mundo, irônicamente). O que então, desde o evento mudou em termos de paz no mundo? Alguns indicam que estamos caminhando para uma nova guerra, no Oriente Médio, que envolveria Irã, Israel, Eua e outros países árabes aliados aos interesses do ocidente o que muito provavelmente, ocasionaria uma crise mundial e com potencial imenso de se concretizar em uma catástrofe, maior até do que o ato da guerra em si.
Hoje em dia, fala-se da redução dos armamentos nucleares e os dois países dentetores dos maiores arsenais, capazes de destruir o mundo (essa expressão significa, não que o planeta deixaria de existir, mas que a vida nele teria suas condições de existência impossibilitadas) diversas vezes. O START, acordo que prevê essa redução gradual entre Rússia e Eua foi atualizado e o compromisso das duas potências militares novamente assinado. Muitos podem pensar que esse é um sinal de que o mundo caminha para um estado de segurança maior.
Acontece que o próprio START em si, não fala da EXTINÇÃO dos arsenais nucleares e sim de sua redução. Ou seja, os arsenais nucleares continuarão a existir, pois as potências militares que detêm sua tecnologia, não abrirão mão do imenso poder de disuasão inerente à posse de tais arsenais e poder maior de diálogo nas questões militares do mundo. Um mundo aonde exista uma arma nuclear, já é um mundo longe de um estado de segurança. Qualquer arma em si, já é um perigo para o mundo, mas as armas nucleares o são em dimensões muito maiores. Por que não se assina um tratado de extinção das armas nucleares? Os países não querem abrir mão de seu poder de fogo em negociações que os fazem poder disuadir qualquer outro país que possa ir contra seus interesses e não queira se render às ordens dos impérios.
A crescente escalada de tensões do Oriente Médio, envolvendo Irã, Israel e Eua se dá por conta do programa nuclear iraniano que o ocidente e aliados consideram com fins bélicos enquanto o Irã afirma ser o programa de finalidades energéticas.
O Irã, como país soberano e detentor do direito de autodeterminação de seu povo, independente da finalidade de seu programa nuclear, tem o direito de fazer uso da tecnologia nuclear. Por que as potências imperialistas que se dizem tão preocupadas com o caráter bélico de qualquer programa nuclear que não seja o de seus próprios aliados, não extinguem de uma vez por todas os arsenais militares? Medo de que sejam usados contra eles? O Irã, não possui histórico de agressão à outros países, enquanto Israel e Eua, que se sentem tão ameaçados são países extremamente agressivos com histórico de invasões e desrespeito à outros povos e que são os causadores e sustentam toda a agressividade e contestação que possa haver contra eles.
Ou todos têm o direito de ter ou todos não têm o direito de ter. Não tem espaço esse discurso de que tais armas têm que estar em controle daqueles que se autodenominam guardiões da paz e zeladores da segurança do mundo, quando é sabido que isso é uma forma de se manter sobre controle todos os países e manter a segurança das próprias potências nucleares e impedir que haja qualquer levante contra a ordem exploradora dos mesmos.
Infelizmente, um mundo mais seguro está longe de ser alcançado já que outros países mais ousados, visando se proteger das investidas das potências e ter mais peso nas negociações, são impelidos a buscarem suas tecnologias nucleares bélicas. O Irã, se não tinha realmente intenções bélicas com seu programa (lembrando que o país é signatário do TPI –Tratado de Não-Proliferação Nuclear, enquanto Israel não o é, assim como Índia, que recentemente recebeu incentivos financeiros dos Eua para continuar com seu programa nuclear, e o Paquistão), está constantemente sendo impelido a buscar tais armamentos nucleares, já que a hostilidade das potências só continua a crescer e as sanções econômicas, que visam sufocar a economia do país para o forçar a abrir mão de um direito seu e até fazer com que o povo, em vista das dificuldades financeiras ajude a tirar seus ousados governantes da liderança da nação.
Será que não conseguem ver que com hostilidades, só haverá maior tensão e consequente, mais hostilidades e maior possibilidade de conflitos?
Enquanto isso, alguns vão se precupando com o fim anunciado em 2012 e lembramos hoje do triste episódio da bomba de Horishima.
Os Eua, que lançaram a bomba e seus alidos ocientais, depois de 65 anos, comparecem à cerimônia. Será que não se sentem culpados? Será que os fins realmente justificam os meios, o que faz com que tais países saiam de mãos limpas e consciência tranquila de tais atrocidades?
Quanto mais o sistema capitalista se mantêm em vigor, mais conflitos irão existir e as possibilidades de outras Hiroshimas e Nagasakis muito maiores acontecerem, continua existindo. Não é tão remota quanto pode parecer, tudo vai depender da necessidade do capital e dos capitalistas que o comandam.
O capitalismo como sistema do individualismo exacerbado, da competição levam o mundo para a beira do abismo o que impele ao surgimento de novas guerras, por territórios e seus recursos energéticos, mercados, pela vida das pessoas que serão transformadas em geradoras de capital para todos seus benefícios, serem usufruídos por aqueles que exploram os povos e querem que tudo continue assim.
O comunismo, sendo o sistema da união, da solidariedade, do compartilhamento, do senso de coletividade, é a resposta e solução para esses problemas que o capitalismo causa ao mundo desde seus primórdios, séculos atrás.
Enquanto o mundo pranteia por Hiroshima e Nagasaki os países imperialistas continuam sem sua busca de mais poder bélico, mais poder de destruição, tudo para assegurar seus interesses, sua dominação, seu lucro, o capital.
O mundo precisa ser completamente livre de armas nucleares, elas precisam ser extintas.
Diogo Portugal Bastos Pinto.

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