quinta-feira, 6 de maio de 2010

Envelhecer

A velhice não me causa medo, a velhice me sensibiliza.


Tento entender como pernas firmes e ágeis se tornam com o passar dos anos fracas e lentas como barras de aço insistentes em não andar pra frente, desobedecendo o líder do corpo; o cérebro, apesar de todas as ordens de agilidade dadas por ele.

Como as mãos rápidas e fortes perdem toda a firmeza para apanhar um simples copo e se tornam trêmulas como um objeto a parte do corpo, um membro marginalizado pelo tempo.

Somos uma alma presa em uma máquina, que um dia simplesmente se cansa, se esgota, e aos poucos vai parando, lentamente vai parando e parando, desobedece, descontrola, e pára.

Esse é o caminho de quase todos, a velhice só não passa por quem parte antes dela.

Mesmo assim é tratada como um nada na nossa sociedade.

É como deixar de existir, de respirar ainda estando vivo.

Não queremos saber suas histórias, e as visões que tiveram do mundo nos parecem todas ultrapassadas...que ridículos somos nós.

Dizem que os velhos parecem crianças, mas eu digo que é maior que isso.

É mais sublime e mais profundo porque é a etapa em que tudo já foi descoberto, tudo já foi revelado e para os que aprendem com a vida e não amargam é o momento mais mágico de todos, você é frágil como uma criança, mas conhece toda a verdade sobre sí mesmo.

Você viu o tempo, a dor, o amor, a solidão, a alegria e a amizade e todas as coisas abstratas que na velhice já não mais abstratas se não reais.

Você viajou, sorriu, fez sexo, estudou, teve um animal de estimação, um irmão, um filho e descobre que se faltou algumas coisa precisa se apressar para faze-lo antes que o tempo acabe.

A velhice deveria ser o momento da vida em que mais somos amados, porque é o momento em que mais temos a oferecer, a experiência vale mais que a força embora o mundo não saiba.
Afinal porque a indiferença e desprezo se a melhor parte de um quebra- cabeça é terminar de monta-lo.
Estela


05/09/08


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